Atalhos

Educação Financeira



É frequente ouvir algumas pessoas referirem-se ao facto de não terem sido ensinadas a gerir as suas poupanças ou nem sequer saberem calcular juros. Para evitar que um dia ouçamos os nossos filhos a dizer o mesmo, devemos começar desde cedo a dar-lhes as devidas noções de poupança e gestão das finanças pessoais.

Alguns truques

  • Defina uma semanada para os gastos do dia-a-dia (mais fácil de controlar que uma mesada). Chegue a acordo com a criança sobre o valor (obrigue-a a ter noção de quanto gasta antes mesmo de ter dinheiro para gastar).
  • Tente não fazer o cálculo da semanada à justa. Deixe algum dinheiro para ir amealhando e explique para que serve o dinheiro extra (para a bicicleta, boneca, mealheiro, etc). Se a poupança for para o banco explique desde logo como se calculam os juros. Se não souber explicar leve o miúdo ao banco e apresente-lhe o gerente da conta como sendo o homem que lhe vai explicar como acrescentar dinheiro à poupança – felizmente a maioria das crianças, ao contrário de alguns pais, assim que se sente à vontade com alguém não tem vergonha de fazer as perguntas que forem precisas 😉
  • O segredo está em começar

  • Estamos a chegar ao fim de um ano lectivo – no início do próximo, sugira ao director de turma que o projecto de turma seja sobre poupança, finanças ou custo de vida – é uma excelente oportunidade de trocar experiências com os outros miúdos.
  • Algumas escolas hoje em dia usam cartões recarregáveis nas transacções do bufete, papelaria… Habitue o seu filho a consultar o saldo do cartão regularmente e a saber quanto dinheiro tem, com que frequência o precisa de carregar, etc. Se o cartão for carregado a partir da conta bancária dos pais, não se esqueçam de o fazer na presença do filho (e de o descontar à semanada seguinte).
  • Não tenha medo de o levar às compras e ensine-lhe todos aqueles pequenos truques que foi aprendendo com o tempo: comparar os preços dos produtos antes de escolher, aproveitar as promoções, pensar se realmente precisa de comprar este ou aquele produto, etc.
  • Eduque-se para educar. Já experimentou fazer uma pesquisa no Google com os termos “poupar” e “filhos”, por exemplo? Descobrem-se montes de sites com dicas e informação muito pertinente. Crie o seu próprio método com base nas dicas dos outros.

Seguramente os leitores deste blog terão muitas outras sugestões. Venham elas.

Mesmo sem dinheiro

Para terminar, se o dinheiro não chega para uma semanada e o seu filho já sabe somar e subtrair, no início do mês chame-o pelo menos para ajudar a planear o orçamento familiar.

Numa folha de papel começa-se com X, gasta-se Y para pagar as contas fixas, é preciso Z para comida e outras despesas e vê-se o que sobra para distribuir por toda a gente lá em casa. No mínimo contribui para pararem os pedidos do tipo “Oh pai, compra-me isto” porque a criança fica com a noção precisa do dinheiro que a família (não) tem para gastar e começa a reparar nos preços antes de pedir; é um bom treino para Matemática; e obriga-o a si a fazer o planeamento do orçamento familiar, que era algo que já devia fazer de qualquer forma.

E talvez, quando der conta, seja o seu filho a dar-lhe conselhos sobre onde poupar para você lhe poder comprar a bicicleta 😉

Autor: Paulo Aguiar

Última actualização: 24/11/2014

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5 comentários a Educação Financeira

  1. Hertista Julho 4, 2008 at 23:24 #

    Bem, agradeço ao Pedro por um post tão útil!
    Ontem a lição do Tomás (tem 11 anos), foi a importância de um orçamento! E IMPOSTOS – porque os pagamos, para que servem!
    Ah! E a importância de um simples pedido de recibo!
    Se todos pagarmos sobre as nossas compras e lucros, a tendência será para TODOS pagarmos menos!

    Um bocado duro? Acho que não! Ele entendeu.

  2. Hertista Julho 4, 2008 at 23:50 #

    Peço desculpa ao Paulo Aguiar! Afinal, o autor do post e não o Pedro!
    As minhas desculpas! E, é sem dúvida um post muito interessante e útil!

    Cumprimentos
    Patrícia

  3. Susana Julho 12, 2008 at 0:54 #

    Paulo,

    Parabéns pelo post! 🙂

  4. José Ribeiro Julho 12, 2008 at 14:14 #

    “José Ribeiro,

    É com muito prazer que o tenho neste fórum. As suas intervenções são quase sempre pertinentes e parece-me saber do que fala.

    Contudo, tenho de levantar algumas ressalvas à forma como se tem dirigido aos restantes utilizadores.

    Exemplos:
    “Pipocas, creio que seria útil perder 2 minutos a ler a notícia antes de fazer comentários para que não haja equívocos e depois andarmos todos a justificar as afirmações e respostas a afirmações próprias e de outros… entendido?” –> Este “entendido” foi um pouco demais.

    “Fique bem com a sua consciência, mas não pretenda insinuar-se da sua superioridade financeira.” –> Acho que não preciso de comentar.

    Estive a ler [praticamente] todos os seus comentários e não tenho dúvidas que os casos apontados são a excepção, mas parece-me ser o meu dever alertá-lo para a situação e esperar a sua compreensão.

    Já agora, tratei do problema das assinaturas “duvidosas” que referiu num post.

    Cumprimentos,

    Pedro Pais”

    Ainda bem que clarificou os pontos exactos que usei para falar com a Pipocas e a Susana, até porque se de facto leu/leram tudo, estão ambos relacionados.

    Vou comentar aproveitando o Titulo, “Educação Financeira” do Paulo Aguiar.

    Pipocas, Pipocas, Pipocas
    pelo que tenho lido dos seus comentários parece-me ser uma pessoa de fácil trato e alguém com quem se pode ter uma conversa civilizada. Se fiz o comentário acima mencionado pelo Pedro foi porque me pareceu que estava a sair em defesa de uma sua amiga sem ter lido todos os comentários até ao final, mas apenas e talvez o último parágrafo do último comentário.
    Embora eu tenha dividido os meus comentários pelas diferentes secções do fórum consoante os assuntos tratados, tenho por hábito ter um fio condutor, que se as pessoas tiverem com atenção, são os valores que eu prezo.

    Escuso-mo de os dizer, atendendo a que se me dirigiu dizendo que eu não devia ter feito o comentário que fiz à Susana atendendo também ao facto de eu não vos conheço de lado nenhum!

    E eu?
    Já pensou/pensaram se me conhecem de lado algum para procederem como procederam?

    “Quem não se sente não é filho de boa gente”. E eu senti forte e feio com os comentários que a Susana fez.

    Não contente com a chamada de atenção reincidiu na sua douta opinião fazendo-me crer com todas palavras que só pensa no seu umbigo e que de vez em quando desce à Terra.

    Pareceu-me que devia trazer um pouco de razão às Susanas que por ai andam a gabar-se de que querem dispender 1800€ num televisor e que eu tinha era de que me meter na minha vida, explicando-lhe como se criam, produzem e chegam ao consumidor os tais televisores de topo ou não.

    Parece que a ofendi, e as amigas logo trataram de ir relatar o sucedido ao mentor deste site. Se não foi isso que fizeram deve ter sido parecido.

    Perfeitamente típico do portuguesinho. E Portugal está cheio em todos os campos e áreas. Tudo é feito para prejudicar o vizinho do lado. A forma como é feito, é que passa despercebida à vista desarmada.

    Nada de novo então.

    Faz-me lembrar aquela noticia recente dos telejornais sobre a inauguração/estreia do novo iphod. Em Portugal, não foram dezenas, nem centenas, mas sim, imagine-se milhares de pessoas que há meia-noite estiveram na abertura para receber/comprar ou ver o novo iphod. Depois surge aquela senhora que diz: “o meu marido compra sempre o último modelo…”, Ou aquele senhor que afirma com toda a certeza científica: “é tecnologia de ponta…”
    Acho que não preciso de comentar.

    A Pipocas disse que houve alguém que disse que era muito confuso.

    Aceito!

    Atendendo à pressa com que as pessoas vivem hoje em dia, por vezes só dá para levantar um olho e mirar este site de vez em quando, ou quando se pode no meio das tarefas caseiras, familiares ou outras.
    Mas como já disse, há um fio condutor. Parece-me que com esse comentário alusivo a alguém, que não sou acessível para qualquer um.

    Como tenho uma certa Educação Financeira, agrada-me ver que há algumas pessoas que também a tenham e que saibam incutir nos seus filhos. Por isso, deixo como comentário o meu obrigado por partilhar essa sabedoria e essa educação.

    Em certo comentário, disse que se me estava a exceder tinham liberdade para me retirar deste site. Atendendo aos últimos desenvolvimentos não espero que me retirem. Eu é que me retiro por uns tempos, para que fiquem à vontade e façam o que muito bem entenderem e como quiserem, pois como já disse, “quem não se sente, filho de boa gente não é”. E eu prezo-me de o ser.

  5. Bruno Cardoso Abril 29, 2011 at 20:09 #

    Ao ler o artigo reparei que existem várias referencias a medidas para educar desde cedo os jovens deste pais.

    A educação financeira deveria ser uma aposta no sector de ensino de forma a consciencializar a importância de saber gerir bem o dinheiro

    Contudo verificamos que não existem grandes incentivos deste género, a excepção de um programa existente em Vila NOva de Gaia o “Finanças Para a Vida”, promovido pelo grupo de Casos de Estratégia Empresarial IESFAtlântico, do MBA do Instituto de Estudos Superiores Financeiros e Fiscais (IESF), tem como objectivo promover a literacia financeira, através de um programa de ensino no âmbito da educação financeira, com o qual, se pretende, dotar os jovens de competências de gestão financeira, desde o ensino básico.

    http://www.iesfatlantico.web.simplesnet.pt

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