Atalhos

Frugality



Porquinho mealheiro

Os povos anglo-saxónicos utilizam o termo frugality para se referirem a uma filosofia de poupança e de utilização económica do dinheiro (penso que não haja palavra equivalente em Português, mas podemos utilizar a palavra poupado). O termo em si não é importante, mas sim o reflexo positivo que o estilo de vida poupado pode representar.

Em termos práticos, ser poupado (frugal) não implica não comprar nada, nem viver uma vida de subsistência. Na realidade, significa que devemos comprar aquilo que precisamos, escolhendo o bem/serviço mais adequado às nossas necessidades actuais e futuras, ao mais baixo preço possível. Tendo estas questões em conta, posso até comprar um produto mais caro do que a média, mas sei que o faço porque a longo prazo me compensa. A chave é entender claramente o que preciso e não resistir às tentações.

Poupar desde o início

Quando possível devo começar a poupar desde o início, especialmente se sei que não é por gastar mais que vou poupar no futuro.

Se preciso de um serviço de comunicações de voz móvel e apenas quero fazer chamadas de voz e receber/enviar SMS, porque não contentar-me com uma das redes lowcost? Se só uso um computador para aceder à Internet, para quê comprar o último modelo?

Adoptar este tipo de comportamentos exige alguma disciplina e uma grande capacidade de resistir às modas. É preciso que cada um de nós saiba do que precisa, que normalmente difere muito daquilo que as empresas nos querem fazer crer que precisamos.

Gastar mais agora para poupar no futuro

Por vezes temos de gastar mais no presente para obtermos ganhos no futuro. Seja pela durabilidade do bem, porque é mais económico (gasta menos) ou porque nos garante a satisfação das necessidades durante mais tempo, o importante é que saibamos que o investimento adicional actual é compensado no futuro.

Um dos exemplos mais interessantes desta perspectiva são as lâmpadas fluorescentes. Custam mais no início, mas ao longo do tempo são mais poupadas, pois têm uma durabilidade superior às lâmpadas tradicionais e gastam menos electricidade.

Outro exemplo pode ser a escolha de um carro a gasóleo ao invés de um a gasolina, se calcularmos que a poupança anual no consumo e preço do combustível compensa o investimento inicial.

Acima de tudo, ser racional e ponderado

Já deve ter entendido que não estou a falar de nada extremamente complexo ou difícil. Trata-se simplesmente de ser racional nas suas escolhas, adequando-as ao que realmente precisa, e de ser ponderado, não tomando decisões precipitadas e amadurecendo as ideias.

Convido-o desde já a partilhar as suas escolhas inteligentes no fórum.

Última actualização: 02/02/2017

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8 comentários a Frugality

  1. Claudia Moreira Novembro 30, 2007 at 18:37 #

    Olá Pedro,

    Concordo consigo em tudo o que disse,mas poupar às vezes é mesmo uma tarefa ingrata. Ver os amigos viajar, jantar fora, cinema, teatro e ter que ficar em casa e aproveitar exposições grátis e teatro mais barato às quintas-feira é complicado!E não se pense que tem a ver com o forretice. Simplesmente quando se quer ter um futuro melhor, tem que se começar a poupar quando ainda não se tem muitas despesas.A vida vai ficando um pouco adiada é certo, mas acredito que no futuro terei a recompensa.
    Dicas de poupança para divertimentos:
    -museus ao domingo de manha são grátis
    – a maioria das exposições também
    -teatro à quinta-feira e mais barato e cinema à segunda também
    – aproveitar as mensagens da tmn que dão um bilhete de cinema à borla ou descontos com o cartão lisboa viva
    – comprar as prendas de natal antes de vir o subsidio para não apanhar com os preços altos

    Relativamente aos exemplos que deu de pagar mais no inicio, eu fiz isso relativamente à escolha dos arquitectos para fazerem o projecto da minha futura casa. Dos que consultei, eram os mais caros, mas foram aqueles que me apresentaram soluções mais inovadoras em termos de poupança em emprestimo habitação (no que diz respeito à cosntrução da casa), luz e água.
    Já falei muito,
    cumps
    claudia moreira

  2. Miguel Novembro 30, 2007 at 19:34 #

    Olá BBB!
    Como fiel utilizador e assíduo leitor da tua pagina ha já varios meses, quero apenas felicitar-te por este belíssimo blogue que já me ensinou tanto e que me auxiliou ainda mais para os mais variados trabalhos de faculdade:P
    keep up the good work!
    abraço
    Miguel Esgalhado

  3. Pedro Pais Dezembro 3, 2007 at 22:51 #

    @Claúdia,

    Não é mesmo fácil e nem sempre é fácil encontrar o equilíbrio entre levar uma vida satisfatória e poupar, especialmente quando o rendimento é escasso. Mas a Cláudia dá os conselhos exactos, procurar situações de lazer que nos custam menos (ou são de graça), podemos fazer muitas actividades interessantes e estimulantes e poupar ao mesmo tempo.

    Muito obrigado pelas suas excelentes ideias. Tenho a certeza que o futuro provará que uma vida poupada traz muitas vantagens.

    No que diz respeito à construção civil, muitas vezes o barato sai caro. Conheço muitos casos em que poupanças iniciais originaram gastos avultados mais tarde.

  4. Pedro Pais Dezembro 3, 2007 at 22:52 #

    @Miguel,

    Ainda bem que o conteúdo do blog também pode ser útil do ponto de vista educativo. Espero é que os teus professores achem o mesmo… 🙂

  5. Nuno Janeiro 6, 2008 at 0:55 #

    A nossa palavra “frugalidade” serve exactamente para o mesmo efeito e, por mim, sempre a usei nesse preciso sentido. E, claro, tem a vantagem de ser um termo português.

    Procurei no “Moderno Dicionário da Língua Portuguesa”, ed. Círculo de Leitores:

    Frugal, s.m. (do Lat. frugale) – relativo a frutos; moderado; sóbrio; parco na alimentação.

    Frugalidade, s.f. – qualidade de quem é frugal; sobriedade; temperança; simplicidade de costumes

    No mesmo sentido, o excelente “Dicionário Houaiss”, também ed. Círculo de Leitores:

    Frugal, s. m. – concernente a frutos, que se alimenta de frutos; de fácil digestão, leve, ligeiro; que se alimenta com moderação; p. ext. fig. – que se contenta com pouco, que é moderado; sóbrio, simples; que se apresenta com moderação, com sobriedade, com simplicidade.

    Frugalidade, s. f. – moderação alimentar; simplicidade; sobriedade de costumes, de hábitos, etc.; antónimo: descomedimento, intemperança

  6. Fátima Pires Janeiro 6, 2008 at 22:09 #

    O tema é muito interessante e muito actual .
    Hoje em dia, são tantas as tentações onde gastar dinheiro, muitas vezes não importa bem em quê, importa é gastar…é quase como que uma terapia para a cura de todos os males!

    Mas também, e falo por mim, tenho alguma dificuldade em encontrar os instrumentos de poupança correctos.
    Por um lado, considero que os instrumentos que existem no mercado não geram um rendimento significativo, por outro, dinheiro parado é sinónimo de custo de oportunidade!

    Uma alternativa à poupança que considero interessante, apesar de obviamente conter riscos, é o mercado de capitais.
    Contudo, no meu caso, apenas irei investir nesta área quando achar que já tenho os conhecimentos mínimos para que pelo menos não tenha grandes surpresas.

  7. Pedro Pais Janeiro 7, 2008 at 0:17 #

    @Nuno,

    Muito obrigado pela explicação. Realmente não conhecia o termo em Português e calculei mesmo que não existisse.

    @Fátima,

    É verdade, as tentações estão sempre presentes. E o mais complicado é mesmo encontrar soluções de poupança que conciliem o benefício financeiro com o prazer do lazer.

    Mas acredito que, com algum esforço, se consegue obter um equilíbrio razoável.

  8. fernanda Maio 11, 2009 at 23:02 #

    Acho que essa frugalidade dos povos anglo-saxonicos, se pensada para os dias de hoje, poderia se traduzir na nossa sustentabilidade (ou consumo consciente). Comprar o que é necessário e ponderando sua utilidade no futuro.
    Mas a sustentabilidade ainda acrescenta um valor essencial porque também leva em conta o menor impacto de nosso consumo na sociedade e no meio-ambiente, não só em nosso bolso!

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