Atalhos

Fundo de emergência

É frequente falarmos nos nossos artigos sobre o fundo de emergência, pelo que consideramos que este tema merece um artigo específico, dada a sua importância.

O que é um fundo de emergência?

Muito simples: um fundo de emergência consiste numa quantia de dinheiro que é colocada de parte, para fazer face às vicissitudes da vida com impacto financeiro, tais como despesas inesperadas, desemprego, doença, fraude, divórcio, entre outras. Não é propriamente um investimento mas sim uma espécie de seguro pessoal contra imprevistos.

Porquê ter um?

A principal razão para ter um fundo de emergência é que os imprevistos acontecem a todos e sem acesso a um tudo será mais difícil e caro.

Se perder o seu emprego ou o seu carro avariar, e não tiver dinheiro de parte, o que fará? Pode eventualmente recorrer ao financiamento, tal como o crédito pessoal, mas esse será um caminho penoso, com elevados juros associados, que pode precipitar uma crise financeira.

Quem deve ter um?

Toda a gente. Independentemente dos rendimentos, idade, estado civil ou profissional, todos beneficiam por ter um fundo de emergência.

Que valor?

Um fundo de emergência deverá ter um valor de entre 6 a 12 vezes o montante das suas despesas mensais habituais. Como existe um conjunto de despesas que não ocorrem mensalmente (seguros, impostos, etc), idealmente deve fazer um apanhado dessas despesas, dividir por 12 e somar às restantes despesas mensais habituais.

O intervalo de 6 a 12 não é absoluto, mas deverá ser aplicável à generalidade das pessoas e tem uma razão de ser. Considera-se que entre 6 a 12 meses é o tempo necessário para resolver as situações ocorridas, adaptar-se às mesmas ou modificar o seu padrão de consumo para uma nova realidade. Menos que 6 meses é arriscar muito; é muito menos provável arranjar um emprego em 3 meses do que ao fim de 6, por exemplo. Mais do que 12 pode significar que está a perder dinheiro desnecessariamente, uma vez que esse excesso poderia ser aplicado de forma mais rentável.

A escolha do valor específico dependerá especialmente da estabilidade da sua situação familiar e profissional, bem como do tipo de despesas que tem. Quanto mais estável for a situação familiar e profissional menor o valor que necessita para o fundo de emergência. Da mesma forma, quanto maior for a facilidade de “livrar-se” de parte das suas despesas habituais, menores as exigências para o fundo de emergência.

A título de exemplo, um casal de 30 anos, em que ambos trabalham e arrendam casa (relativamente fácil de mudar para uma mais barata), tipicamente não terá um fundo de emergência tão elevado (em termos relativos às despesas) do que um casal de 50 anos em que apenas um trabalha e com crédito à habitação (difícil de trocar por uma solução mais barata).

Quando reforçar ou diminuir?

No seguimento do tópico anterior, o valor afecto ao fundo de emergência deve ser revisto quando ocorrer uma alteração do valor ou tipo das despesas mensais habituais, bem como se a sua situação profissional ou pessoal se alterar de forma significativa.

E onde coloco o dinheiro?

Para a aplicação do dinheiro de emergência, procuramos um produto que seja simples, com elevada liquidez (i.e., que facilmente se possa “transformar” novamente em dinheiro no bolso) mas que não seja passível de ser gasto no dia-a-dia, e com com o menor nível de risco possível.

Desta forma, pensamos que o produto mais adequado para o fundo de emergência será tipicamente um depósito a prazo, que garanta simultaneamente que a mobilização antecipada é permitida e que a disponibilização do dinheiro na conta à ordem seja feita no máximo em 1 dia útil, embora idealmente e normalmente seja possível ter o dinheiro imediatamente disponível.

Existem outras opções, tais como fundos de tesouraria, mas consideramos que a acrescida complexidade e eventual tempo adicional de resgate não justifica possíveis vantagens.

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4 comentários a Fundo de emergência

  1. Maria Setembro 23, 2014 at 12:26 #

    Quem tem dinheiro poupado e se habituou a gastar menos do que ganha tem sempre um fundo de emergência. Este dinheiro nao tem que estar todo a render a curto prazo mas tem que haver possibilidades de se conseguir chegar a algum dele a curto prazo. Empréstimos tais como créditos pessoais levam numa situação de necessidade a aumentar a necessidade e a divida. Juros a rondar os 20% dão dores de cabeça a qualquer pessoa.
    Por outro lado se alguém disser que tem menos de 6 ou 12 vezes as despesas mensais na conta poupança eu direi : continue a poupar ,mais vale menos do que nada. E continuando a poupar consegue aumentar o pé de meia.

    A poupança tem que ser uma atitude nesta vida incerta. Por outro lado quero também dizer que estamos na altura de partilhar. De dar a quem precisa. De ajudar iniciativas tais como o banco alimentar e os projectos como por exemplo da Caritas que recolhem roupa,sapatos,brinquedos e moveis para pessoas com necessidades. Mesmo que seja só ajudar um bocadinho. Ou fazer trabalho voluntário ou ajudar uma pessoa a carregar as compras ou atravessar a rua.
    Temos que pensar também nos outros porque a qualquer um pode acontecer uma desgraça na vida e ser ajudado sabe tão bem como ajudar.
    As iniciativas cívicas farão a diferença entre o mundo egoísta e decadente e a esperança para um melhor futuro para todos.
    Cumprimentos.

    • Pedro Pais Setembro 23, 2014 at 15:59 #

      Obrigado pelo contributo, muito altruísta.

  2. José Matos Outubro 1, 2014 at 3:28 #

    Comentários como os da Maria, fazem-nos acreditar que muitos mais pensarão assim. De facto, vivemos num mundo caracterizado pelo egocentrismo, na era do consumo fácil, para muitos quiçá, o clímax das suas existências. Ao lado, porém, um sem abrigo passa fome e frio, ignorado pela cavalgada desenfreada da satisfação egoísta pura e dura.
    Bem haja Maria, pela lufada de ar fresco. Apesar do adiantado da hora, não consegui calar a minha admiração.
    Cumprimentos

  3. Bruno Janeiro 17, 2016 at 18:45 #

    Muito bom Maria

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