Atalhos

Prever o futuro (orçamentos)


Mais um ano lectivo que começou recentemente. Todos os anos as mesmas notícias sobre as visitas dos ministros, os problemas com a colocação de professores, etc. Mas a notícia que mais me chamou a atenção foi uma que apareceu em vários meios de comunicação segundo a qual os pais andavam a recorrer ao crédito para pagar os livros dos filhos.

Sei que muitas vezes os títulos das notícias são mais alarmistas do que deviam. Neste caso concreto o que vi foi uma data de pais a serem entrevistados e a afirmarem que os livros estavam mais caros. Dados concretos sobre os pedidos de empréstimo, nem vê-los. Mas, partindo do princípio que a notícia tem um fundo de verdade, só me vem à cabeça este desabafo:

Mas será que os pais não sabiam já que iam ter esta despesa com os livros? Porque não se precaveram? Afinal, quanto custam os livros – 100€, 200€?

Orçamento a longo prazo

Muita gente gastou mais do que previa nas férias, em Agosto e chega agora a esta altura e pronto – lá se foi o dinheiro para os livros. E quem fala nos livros da escola fala em muitas outras coisas. Já aqui se falou por diversas vezes da necessidade de fazer o planeamento mensal ou mesmo semanal das despesas – o nosso orçamento. Mas não nos devemos esquecer que neste orçamento se devem incluir também as grandes despesas que vamos ter no futuro e não apenas no curto prazo. Senão vai-nos acontecer como aos pais da notícia: recorremos ao crédito para pagar essa despesa (e acabamos por pagar muito mais por ela).

Há muitas despesas que podem ser previstas com antecedência de alguns meses (ou mesmo anos). À medida que fui compilando uma lista para incluir neste artigo, acabei por as dividir nas seguintes 3 categorias:

  1. Despesas Fixas e Recorrentes: que normalmente já prevemos e conhecemos bem pois ocorrem todos os meses: as contas da água, luz, internet, telefone, condomínio, telemóvel, prestação dos créditos, renda da casa, mensalidade do ginásio, etc.
  2. Despesas Previsiveis: sabemos que vão ocorrer mas não são tão frequentes. Às vezes, como não acontecem todos os meses, até nos esquecemos delas: seguro do carro, impostos (IRS, IMI…), inspecção automóvel, dentista, os livros da escola, férias, quotas de revistas ou associações, as propinas da faculdade, os encargos com o fim do empréstimo da casa, os 100€ que o primo João emprestou para pagar os livros da escola no ano passado, etc . Estas despesas devem estar sempre presentes no nosso orçamento. Seja numa folha Excel ou numa aplicação, tente encontrar um canto onde as consiga ver permanentemente (pelo menos as mais avultadas). Dessa forma lembra-se delas pelo menos uma vez por mês quando estiver a fazer o orçamento.
  3. Despesas Extraordinárias: apesar de imponderáveis e imprevisíveis, são quase certas de ocorrer de vez em quando (com intervalo de alguns meses ou anos, espera-se). Devemos estar sempre preparados para suportar pelo menos uma ou duas. Incluem-se aqui a substituição de alguma peça no carro, uma hospitalização, despesas com funeral de alguém próximo, obras de reparação em casa, avarias, trocar de óculos e muitas outras. São as mais difíceis de gerir. Por isso mesmo deve-se distinguir e saber bem quais são as despesas que se enquadram nesta categoria e quais são as que se conseguem passar para a anterior.

Gestão do dinheiro para suportar as despesas

A primeira categoria de despesas tem obviamente que ser suportada pelo nosso rendimento (ou então temos que mudar de vida).

As despesas recorrentes devem ser previstas no nosso orçamento (por exemplo, estamos em Novembro; o IMI deve ser pago em Abril mas normalmente os valores são avultados; será que preciso de começar a poupar já?). Estas despesas podem ser geridas de duas formas: (1) ou se conseguem suportar completamente na altura em que acontecem e entram no orçamento desse mês (como a consulta do dentista, por exemplo) ou (2) então deve-se começar a poupar com antecedência (por exemplo, guardando dinheiro numa conta paralela só para estes fins – se for remunerada, melhor).

Finalmente, para as despesas extraordinárias deve existir um fundo de reserva. Há quem diga que este deve corresponder a 2 ou 3 meses de salário, há quem fale em 6. A melhor forma de o calcular, a meu ver, é pegar em todos os imponderáveis, tentar calcular os 2 mais caros e guardar dinheiro suficiente para pagar pelo menos isso. Espera-se que não aconteçam todos ao mesmo tempo, portanto fica-se com uma margem de segurança jeitosa. Neste caso pode-se optar por colocar este dinheiro de parte, num produto em que o dinheiro possa ser facilmente movimentado, mas em que vá rendendo qualquer coisa, mesmo estando parado. Um depósito a prazo, por exemplo.

Portanto, para prever o futuro não é  precisa nenhuma bola de cristal. O que é preciso é estar prevenido. E, se neste caso, homem prevenido pode valer por dois em termos de dinheiro disponível, as despesas continuam a valer só por um 😉

Autor: Paulo Aguiar

Última actualização: 24/11/2014

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7 comentários a Prever o futuro (orçamentos)

  1. Cris Setembro 24, 2008 at 14:51 #

    Na listagem das despesas, esqueceste-te de algo muito importante, A COMIDA!
    Ninguém vive sem gastar uma boa quantia todos os meses no supermercado ou em restaurantes.
    Tudo aquilo que disseste é verdade, toda a gente sabe disso, o difícil é concretizar esses planos e calcula-los.. Depende muito tb do feitio e costumes das pessoas..
    Para aquelas que não têm costumes caros e que se sabem controlar, muitas vezes existe o problema do ordenado ser tangente para as despesas fixas, sendo impossível pouparem algum dinheiro.
    Mas pronto, cuide-se quem puder!!

  2. m.elis Setembro 27, 2008 at 15:35 #

    Li com muito agrado o artigo de Paulo Aguiar – Prever o Futuro, que dá dicas interessantes de planificação.
    Todos sabemos que às vezes a situação é tão difícil que não há planificação que resista!
    Refere, como exemplo, e porque o ano escolar iniciou, o problemas do custo dos livros, material escolar e “esqueceu” a comida, segundo a Cris.
    Conheço bem esta realidade. Há sim quem não tenha dinheiro para os livros. Há quem faça previsões orçamentais muito bem pensadas, mas há também um grande grupo de pessoas cujas prioridades são, o futebol, um bom plasma, telemóveis topo de gama, etc….
    Quanto à comida, se as escolas tiverem cantina, os alunos podem comer por cerca de 1,50€. Claro que não dá para a pizza, a coca-cola, cachoros e afins…
    Julgo, às vezes, que o problema não é só falta de dinheiro ou de previsão orçamental. É também o de ficar à espera de um subsídio…..
    Parabéns ao Paulo Aguiar. Leio com muita atenção os seus artigos.

  3. Paulo Aguiar Setembro 27, 2008 at 19:49 #

    Cris, tens razão. Nem só de pão vive o homem, mas sem isso não vive de certeza. Obviamente a comida entra no rol da lista das despesas fixas e recorrentes.
    E há muitas outras despesas que ali não estão incluídas. É justamente um dos motivos pelos quais é importante habituar-se a fazer o orçamento – para estas coisas não ficarem esquecidas, em troco de uma consola de jogos, por exemplo.
    Pessoalmente, no meu orçamento, a comida encaixa na fatia de gastos gerais, à qual atributo um determinado valor fixo todos os meses (e donde sai basicamente o dinheiro para as compras de supermercado – comida, produtos de limpeza, drogaria, etc). O que provavelmente explica o motivo pelo qual me esqueci de a incluir na lista 😛

    m.elis, obrigado pelo elogio. Nem todos os temas se prestam a este tipo de tratamento, mas faço por isso.

  4. tempest@de Setembro 29, 2008 at 13:00 #

    Um excelente artigo Paulo, como sempre!

  5. Pedro Pais Setembro 29, 2008 at 14:13 #

    tempestade,

    Dizes bem, como sempre. O Paulo dá sempre excelentes contributos.

  6. hmeskita Outubro 1, 2008 at 8:48 #

    Como sempre mais um excelente artigo do Paulo, como sempre a dar indicações e ideas excelentes para todos nós.

    Era apologista de viver um dia de cada vez, mas com o estado das coisas tenho de começar a mudar essa filosofia e tenho andado a começra a planear as coisas mais cedo.
    E só me tenho dado bem com o planeamento das coisas a medio prazo.

    E com este blog e com o forum tenho aprendido conhecimentos e ideas muito importantes para o meu dia á dia familiar e orçamental.

    Este artigo é mais um excelente contributo para todos nós.

    Parabens Paulo

    Keep the good work

  7. lucia Outubro 27, 2008 at 16:37 #

    Em 1º lugar parabéns pelo blog, tomei conhecimento dele através de um forum e estou a gostar do ke estou a ler.
    Sempre me congratulei a mim mesma por ser muito organizada com os meus dinheiros. Aliás lá em casa sou eu ke giro as contas. Sou conhecida pela forreta mas tem ke ser mesmo assim, se me kero dar a alguns luxos tenho ke gerir bem o pouco ke tenho, e o meu gerir bem deve-se tb a um orçamento mensal tal e qual como o Paulo sugere.
    Faço uma coisa ao contratio da maioria das pessoas, assim ke recebo tiro logo um X para a conta poupança e so depois e ke faço o orçamento com o dinheiro ke fica. E assim vou consguindo juntar algum, pouco mas vai dando para amealhar o suficiente para nao andar preocupada com despesas imprevisiveis.

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