Atalhos

A hipocrisia dos políticos



Os políticos têm a extraordinária capacidade de pedir aos cidadãos sacrifícios, esforços e resultados que não consideram para si. Pode mesmo considerar-se uma autêntica ode à máxima

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço.

Primeiro foi o senhor Al Gore. O seu documentário, An Inconvenient Truth, mundialmente aclamado pela reflexão sobre o aquecimento global, apela a um consumo moderado de recursos. Pena seja que só os gastos em electricidade com a sua casa sejam mais de 20 (!!!) vezes superiores aos gastos do agregado familiar médio Americano (que só por si já são dos que gastam mais).

Depois temos o nosso ex-Primeiro Ministro, Durão Barroso, a anunciar a meta da UE em reduzir a emissão de CO2 em 20%, até 2020. Pouco depois ficámos a saber que os carros em que o Presidente da Comissão Europeia e a sua mulher viajam são extraordinariamente (leia-se desnecessariamente) poluentes – belo incentivo.

Para terminar

O Parlamento Europeu funciona de forma permanente em Bruxelas, embora quatro dias por mês funcione em Estrasburgo e alguns serviços no Luxemburgo.

Pois bem, li no Expresso que estas “pequenas” particularidades obrigam ao transporte mensal de 3000 caixas de documentação de 785 deputados, ao longo de 430 quilómetros. E quanto custa esta operação? Qualquer coisa como 200 milhões de euros por ano.

Para os que pensam que este procedimento é desnecessário e dispendioso existe uma petição on-line (o efeito poderá ser nulo mas pelo menos o Expresso referiu a sua existência).

São claramente estranhos para todos os cidadãos e contribuintes este tipo de acontecimentos. Como é que os políticos podem continuar a pensar que lhes basta falar e a nós seguir? Será que reconhecem a importância e a necessidade do exemplo que têm de dar? Certamente perguntas por responder.

Última actualização: 03/12/2010

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10 comentários a A hipocrisia dos políticos

  1. JP Antunes Abril 2, 2007 at 11:08 #

    Li algures que a noticia dos gastos de electricidade da mansão do Al Gore foram lançadas por uma empresa de media ligada a interesses contrários ás varias campanhas lançadas por Al Gore.

    A verdade é que nunca se sabe a verdade. :o)

  2. JQR Abril 2, 2007 at 11:59 #

    Faz-me lembrar um graffiti que vi há dias:

    POUPEM ÁGUA, PARA PODERMOS JOGAR GOLFE

  3. Pedro Pais Abril 2, 2007 at 14:12 #

    @JPAntunes, até acredito que a história do Al Gore seja empolada por alguns meios de comunicação, mas não tenho dúvidas que certamente pedirá muito mais do que aquilo que faz.

    @JQR, esse é bem giro 🙂 Não tiraste uma foto com o telemóvel, não?

  4. era_uma_vez Abril 5, 2007 at 19:24 #

    A Assembleia da República fala da crise, da tanga, do furo no cinto, deficit, orçamento e o que faz para diminuir isto, concede tolerância de ponto para toda a Quinta-feira para os deputados da Nação e cria gabinetes e assessores, adjuntos e assistentes de adjuntos, chefes de equipa dos auxiliares adjuntos.

  5. Pedro Pais Abril 5, 2007 at 22:42 #

    era_uma_vez, ainda que o que refere seja verdade, não me parece ser essa a origem da problemática que ronda o país.
    O factor relevante, na minha opinião, continua a ser a baixa produtividade, que deve (ou devia) ser medida através da relação entre o trabalho produzido e as horas despendidas.

  6. era_uma_vez Abril 6, 2007 at 10:47 #

    Está-se a referir a da produtividade dos políticos? Essa é pouca nalguns casos, dados que países com menos inputs (deputados) possuem mais outputs (Democracia, Governo e melhores politicas).

    Se a produtividade for a do País, o problema é quem não é produtivo e como é medida a produtividade, se é pelo valor gerado no final.

  7. Pedro Pais Abril 6, 2007 at 20:00 #

    Estava essencialmente a referir-me ao País (acredito que o output dos deputados seja de difícil mensurabilidade). Em relação a essa nota que menciona, penso não ter entendido bem o que quer referir, pode clarificar, sff?

  8. era_uma_vez Abril 6, 2007 at 22:29 #

    Quando falamos de produtividade de um País, estamos a referirmo-nos a produtividade das empresas e de todos os organismos publicos. E um dos principais problemas é o Estado, outro problema é não criação de valor acrescentado pelas empresas, ….

    Trigésimo a não utilização das tecnologias. Existe um estudo que refere que as ~70% (cito de memoria) das PMEs Portuguesas não utiliza PC. Quando em Portugal 98% são PMEs.

  9. Pedro Pais Abril 6, 2007 at 23:56 #

    Pois, esses são os famosos problemas estruturais com que nos deparamos.

    Mas os ~70% que refere é que são incríveis. Se por acaso conseguir encontrar a fonte da notícia, por favor informe-nos.

  10. Pedro Pais Abril 12, 2007 at 10:30 #

    teste

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