Atalhos

Os bancos não mordem



Não sei bem porquê mas há amigos meus que vêm ter comigo a pedir-me para tirar dúvidas sobre as suas contas bancárias ou para aconselhar os melhores produtos financeiros. E digo “não sei porquê” porque na realidade não sou nenhum especialista em finanças 😛

A verdade é que muitas pessoas (também não sei bem porquê) parece que têm medo dos bancos. E a verdade é que são justamente os bancos, as instituições que melhor lhes podem esclarecer essas dúvidas.

Falar com o banco

Hoje em dia, é tão fácil falar com o banco: por correio electrónico, preenchendo um formulário no site, telefone ou deslocando-se ao balcão, só não fala com o banco quem não quer. Os maiores bancos têm mesmo centros de atendimento especializados em tirar as dúvidas ou resolver os problemas dos clientes.

Há pelo menos 3 situações em que é recomendável entrar em contacto com o banco:

  • Pedir conselhos sobre onde melhor investir o dinheiro. Toda a gente conhece os depósitos a prazo. Mas será que há algo melhor que se adeque ao nosso perfil de investidor?
  • Pedir dinheiro emprestado. Os bancos praticam as taxas mais baratas (muito mais baratas do que as sociedades financeiras que se fartam de fazer publicidade na tv)
  • Quando estamos em dificuldades financeiras. Não espere até não conseguir pagar os empréstimos – assim que começar a sentir dificuldades vá ao seu banco. É do interesse de ambas as partes resolver o problema.

Conclusão

Claro que há sempre as habituais alternativas de perguntar aos amigos; ou deixar a dúvida no fórum. Aliás, às vezes convém na mesma usar essas fontes para confirmar os esclarecimentos prestados pelo banco. Mas a única garantia de obter uma resposta profissional e virada para o seu problema específico é mesmo perguntar a um banco. Naturalmente que, como em qualquer outro lado, pode ter o azar de apanhar um funcionário menos qualificado pela frente… insista – calmamente explique-lhe que não está a conseguir fazer passar a mensagem e peça para chamar outra pessoa ou recorra ao “truque” do livro de reclamações. Faça valer os seus direitos como cliente.

Afinal de contas, os bancos não mordem 😉

Autor: Paulo Aguiar

Última actualização: 24/11/2014

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21 comentários a Os bancos não mordem

  1. serginh0 Junho 24, 2008 at 10:47 #

    Não mordem mas têm contratos com letras pequenininhaaaas…

    A verdade é que quando comecei a ter de me preocupar em negociar financiamentos e a aplicar o meu dinheiro, dirigi-me a 3 ou 4 balcões diferentes e ninguém me explicava a diferença entre uma TANB e uma TAEG, ou como calcular o juro líquido (i.e.,o lucro) mensal num depósito a prazo. Para “vender” dinheiro todos os bancos oferecem taxas baixíssimas enquanto não olhamos para a TAEG, para “depositar-mos” dinheiro todas oferecem taxas altíssimas no 1º mês, mas nenhum explica o porquê das coisas nem os funcionários tão para se chatear muito com isso (a menos que tenhamos cunha…).

    Comigo resultaram duas coisas:
    – Google, muito google!
    – Ir a vários bancos, pedir várias simulações e o máximo de esclarecimentos. Levar a papelada para casa, fazer as contas e… voltar aos bancos, com um ar mais “entendido” da coisa!

  2. José Ribeiro Junho 24, 2008 at 11:51 #

    Bom dia

    concordo com o serginh0 e também concordo, mas não em absoluto, com o Paulo Aguiar pelas razões evidenciadas pelo serginh0.

    Por isso, se não se importar vou continuar a expor as minhas dúvidas aqui, para quando chegar aos balcões dos bancos ir com ar mais sabedor.

    Continuação de um bom dia!

  3. pauloaguia Junho 24, 2008 at 12:38 #

    Concordo com ambos quando dizem que, por vezes, no banco não sabem explicar sequer a diferença entre a TAEG e a TANB. Vão desculpar o desabafo (nada contra vós), mas sabem porque é que não sabem isso no banco? Porque a maior parte das pessoas não perguntam ou então não se importam de não obter uma resposta em condições! E o ridículo é que é uma pergunta perfeitamente legítima e, portanto, eles deviam de saber responder.

    Uma das funções do banco é esclarecer os clientes. Se não conseguem cumprir essa função, o cliente tem bom remédio: muito calmamente e sem perder a compostura, vira-se para o funcionário e pedem para chamar outra pessoa que explique melhor.
    Se mesmo assim não vai lá, calmamente:
    – “Olhe desculpe mas não está a dar a explicação em termos que eu entenda. É aqui que peço o livro de reclamações?”
    Este pedido tem o mesmo efeito do tal “ar mais sabedor” – passam a saber logo tudo e o que não sabem descobrem. Mesmo assim deixe a reclamação com a nota que só lhe souberam explicar as coisas depois de pedir o livro – se alguém tivesse feito isto antes de si, talvez não tivesse sido preciso chegar tão longe desta vez. Afinal, já que perderam o tempo de se deslocar até ao banco, ao menos que sirva para alguma coisa.
    O livro de reclamações funciona bem, no caso dos bancos – alguma coisa tem obrigatoriamente de mudar de cada vez que há uma reclamação senão o Banco de Portugal cai-lhes em cima.

    Para quem tem reclamações no seguimento de comunicações por email ou telefone e não se quer/pode deslocar ao banco para preencher o livro, a reclamação pode ser apresentada directamente no site do Banco de Portugal – http://clientebancario.bportugal.pt/default.htm (menu do lado esquerdo -> Reclamações).

  4. José Ribeiro Junho 24, 2008 at 16:11 #

    Bem…

    relativamente ao livro de reclamações, eu por duas vezes tentei pedir em dois balcões do Montepio Geral e cada qual desembrulhou-se por várias estratégias flagrantes e óbvias para que eu o não fizesse.

    As estratégias passaram por irem conferenciar para um gabinete e eu a ver o tempo a passar, grande “esquema” o deles. Outra das estratégias foi telefonarem para vários números e ninguém atender por ser hora do almoço, ou se atendiam, falavam alto e até chamavam um ou outro colega para reafirmarem as suas “doutas” afirmações e verem se eu me sentia mal e mudava logo ali a minha intenção…

    Concluindo, como não tenho tempo, a não ser nas férias, para estar eternamente nos bancos, vim-me embora e mudei as contas para outro balcão da mesma agência, isto, porque tenho contas a prazo que se as fosse a levantar era fortemente penalizado.

    Posso tentar sintetizar o que se passou.

    O Montepio em Outubro de 2007 publicitou em letras garrafais em vários orgãos de comunicação um produto misto que garantia 8% TANB em que 25% iam para uma conta a prazo a 6 meses e os outros 75% iam para um PPR. Não que eu precisasse nesta altura da vida de um PPR mas como a importância minima era de 1000€, decidi levantar 2000€ de uma conta a prazo vulgar e investir no tal produto misto que à partida me disseram que era rentável e tinha um risco práticamente nulo, pois desde 1986 que tinha tido sempre taxas de rentabilidade, à excepção de 1 ou 2 anos, acima dos 6%. Assim assinei contrato numa quarta-feira e disseram-me que tinha 60 dias para anular caso fosse esse o meu desejo. Chegado a casa, ao arrumar os papeis, li com atenção tudo o que entregaram e li no contrato que a instituição não garantia o investimento, à excepção da fracção do depósito a prazo. Ora isto não estava no prospecto, ninguém me tinha dito que havia o risco de chegando aos 60 anos não receber nada do que tinha investido hoje. Quando me falaram do pequeno risco era relativo aos juros obtidos que podiam não ser aqueles publicitados e não o capital.

    Fui logo lá no dia seguinte, e entre outras coisas perguntei se a pessoa que me tinha feito assinar o contrato tinha o produto e se estava disposta a assinar uma garantia de que o capital era totalmente devolvido no final do prazo. A resposta óbvia foi que não a ambas as questões. Pedi o livro de reclamações e foi o rodopio e burburinho que já contei.
    Dirigi-me noutro dia a outra agência, tomaram conta da minha reclamação por escrito mas não me deram o livro de reclamação porque não tinha sido na agência deles. Voltei novamente à agência e exigi a devolução do dinheiro. Disseram-me que não o podiam fazer porque a sociedade que gere aquele tipo de produto estava a enviar-me documentação essencial para que pudesse haver a restituição. Não desisti, e o melhor que consegui foi que na altura me devolveriam os 25% para a conta à ordem e os restantes 75% seriam devolvidos até ao final de Dezembro desse ano. Na realidade, só os vi na conta à ordem no final de Janeiro.

    Voltei novamente à agência já sem vontade nenhuma de ver os funcionários que me impigiram tal produto, e perguntei-lhes se não me deviam pagar juros pela retenção indevida da importância por mais de um mês quando me tinham dito que iria receber o capital ainda antes do final do ano? Resposta, não sabiam de nada. A importância já tinha sido devolvida e não haveria lugar a mais nada.

    Para não me chatear mais, fui a outra agência e transferi todas as minhas contas para lá, isto para não ser penalizado pelas tais contas a prazo que tenho lá investido.

    Podem-me dizer, o cliente deve ler os contratos antes de assinar. Pois é, mas uma relação de vários anos estabelece-se na base da confiança mútua. E para mim a palavra dada ainda conta. E não estava nada no prospecto, em português corrente que desse a indicação que havia a possibilidade de perda total do capital investido.

    Que para muitos, a importância seja menor, para mim, cada cêntimo conta e fico muito contente quando me vem parar à mão nem que seja os tais 13€ que li algures num outro artigo de opinião, fruto de uma conta à ordem.

    Desculpem lá o desabafo, mas ainda não sarei as feridas e ando com este assunto atravessado!

  5. serginh0 Junho 24, 2008 at 22:34 #

    “vim-me embora e mudei as contas para outro balcão da mesma agência” Foi exactamente o que fiz no BPI e acho que é o que devemos fazer sempre que nos interessar aquele banco (no meu caso o BPI tem boas taxas de financiamento auto) e não formos bem atendidos!!

    O livro de reclamações é de facto uma “arma poderosa” mas cuidado com o que se escreve por lá. Coisa como “a senhora foi mal-educada” ou do género podem dar direito a processos por difamação como já li algures. Se possível, deve-se utilizar sempre que hajam provas escritas do erro que devem seguir como anexo.

    Tenho uma história engraçada no BES em que a senhora, já de uma certa idade, não tinha ar de quem me sabia explicar o que era uma TAEG e uma TANB e mesmo que soubesse não tava aí para me explicar. Usou expressões como “O que é? É isso que está aí no papel!”, que não é resposta em lado nenhum do mundo. Tratou-me como um ignorante e quando eu já estava a preparar-me para ir bater a outra porta, resolveu actualizar os meus dados no BES e soube que eu era médico…engoliu em seco, afinou a voz e disse-me aquilo não era ali com ela, mas num balcão 360… De facto, eu poderia ter pedido educadamente para ela chamar outra pessoa que me soubesse explicar, e passava ela a ser a ignorante, mas não sou muito espontâneo!

    De facto, o “ar entendido” é o que tem resultado melhor comigo, especialmente porque apesar de ter 25 anos quem olha para mim dá-me 15…

  6. serginh0 Junho 24, 2008 at 22:46 #

    Esqueci-me de referir a resposta imediata que me surgiu quando em relação à TAEG e à TANB o Paulo Aguiar pergunta “sabem porque é que não sabem isso no banco?”

    De facto, é porque não sabem.

    Muitas pessoas que lá trabalham nem têm uma formação”como deve ser” e não fazem muito mais do que receber e enviar papéis. Por isso quando lá entramos com “ar de entendidos” e com outras propostas nos tratam “como deve ser” pois sentem que estamos acima deles e nessa altura, se for preciso, encaminham-nos para alguém dentro do assunto.

    Pode parecer que tenho um complexo de perseguição ou coisa do género, mas a verdade é que já entrei num banco como miúdo de calções e chinelos e saí de lá doutor, sem mudar de roupa…

  7. José Ribeiro Junho 27, 2008 at 13:19 #

    Nem mais, serginh0!

    Creio que era preciso mais mentalidades assim para mudar alguma coisa neste pais.

    Parece-me que as pessoas se acomodam, resignam com a sua triste sina, “É assim, não há nada a fazer…”
    Quando analisam os dados do cliente e até vêm que tem formação, logo algum poder financeiro. Tudo muda de aspecto! É só vénias e deferências…

    Não está certo!

    A continuar assim, qualquer dia têm um banco de dados com o código genético das pessoas. Vão lá e vêm, fulano X têm QI 0,5 e sofre de letargia palermóide com elevada astigmatite aguda e tendência para sofrer de pé chato antes de sair do colo da mamã!

    Pois… admirem-se!

    A caminhar para onde estamos a caminhar, quando estivermos a sair do ventre já alguém sabe quanto vamos produzir e quanto podemos dar a ganhar a uma futura entidade empregadora que há-de estar interessada em contratar o recém-nascido porque tem no seu código genético o perfil adequado para a empresa X do ramo Y…

    É melhor não divagar muito, porque senão ainda dizem que isto não é verdade, nem é para esta geração, nem a próxima…

    Este exemplo, é apenas para ilustrar o meu ponto de vista, de que as pessoas não se podem resignar, e rebaixar-se a atitudes de pessoas mal formadas com intenções duvidosas.

    Usem o conhecimento que vos é fornecido e pensem, com o vosso “cerebelo”…!

  8. sara Julho 2, 2008 at 16:06 #

    mordem mordem!
    à tempos fui ao banco abrir uma conta a prazo, e de 800 euros aproximados que coloquei , só tenho direito agora no fecho da conta, devido a impostos que nao percebia bem o porquê, retirei o dinheiro e só tive direito a 220 euros!
    BESSSSSSSSSSSSS!!!

  9. Paulo Aguiar Julho 2, 2008 at 20:25 #

    sara, não percebi quase nada da história. Deu 800 euros ao banco e só lhe devolveram 220? Tem a certeza que era um depósito a prazo?

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  1. Educação Financeira | Pedro e o Blog - Julho 1, 2008

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