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Riscos CA e CTPM vs Depósitos a prazo

Desde o relançamento dos Certificados de Aforro (CA) e do lançamento dos Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM), que uma das questões mais levantadas é sobre o risco destes produtos, especialmente se comparados com os depósitos a prazo.

Protecção dos CA e CTPM

Os CA e os CTPM têm o reembolso garantido pela República Portuguesa, que habitualmente seria considerada a melhor protecção possível em território nacional. Contudo, como todos sabemos, a credibilidade da República em honrar os seus compromissos já teve melhores dias, mas Portugal tem-se mantido afastado do incumprimento, o que é positivo para os investidores/aforradores.

É-nos difícil saber qual o impacto nos CA e CTPM caso a República decidisse (ou fosse forçada a) não pagar parte da dívida, mas seria de esperar que pelo menos parcialmente estes produtos fossem afectados. Se por aí andar algum especialista na temática dos efeitos de incumprimento em produtos de dívida pública dirigidos ao pequeno investidor/aforrador nacional, por favor deixe-nos um comentário. Ainda assim, na situação actual, o cenário de incumprimento parece-nos bastante remoto.

Protecção dos depósitos a prazo

Os depósitos a prazo gozam da garantia da instituição financeira em que são constituídos e, adicionalmente e até € 100.000, da protecção do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Estas protecções são sem dúvida interessantes, mas há que salientar que os recursos próprios do FGD que não chegam a 1% do valor dos montantes garantidos (relatório de 2011, último disponível online), o que directamente nem daria para garantir os depósitos de um grande banco comercial. No caso dos recursos próprios do FGD se revelarem insuficientes para fazer face às suas obrigações, o mesmo pode, segundo informação obtida no respectivo site, “[…] obter contribuições especiais junto das instituições participantes, e ainda recorrer a empréstimos, incluindo junto de outros sistemas de garantia da UE, do Banco de Portugal e do Estado […]”, mas em termos práticos não sabemos até que ponto este mecanismo poderia funcionar. Mais uma vez, e porque não há razão para alarmismos, realçamos que a generalidade da banca nacional aparenta estar devidamente capitalizada, pelo que cenários pessimistas são muito pouco prováveis.

Há sempre risco, por muito baixo que seja

Vistas as coisas, não nos parece que a dívida da República assuma um risco significativamente superior ao dos depósitos a prazo nacionais. Há risco de incumprimento, ainda que baixo, mas não se pode querer ter taxas do género e não correr qualquer risco – o mais aproximado a tal seria investir em obrigações alemãs, com juro implícito perto de 0%.

Mais uma vez, recomendamos como medida genérica que diversifique os seus investimentos, não concentrando um valor demasiado significativo num só produto/instituição. É uma forma simples de limitar eventuais perdas num improvável cenário de falências e/ou incumprimentos. Uma boa forma de diversificar é adquirir produtos financeiros que repliquem determinados índices, mas isso deixamos para outro artigo.

Última actualização: 14/11/2013

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8 comentários a Riscos CA e CTPM vs Depósitos a prazo

  1. Pedro Novembro 15, 2013 at 10:29 #

    Obrigado pelos esclarecimentos sempre tão lúcidos. Mas tenho uma questão que me coloco sempre e nunca consegui ver respondida. Os 100k euros protegidos pelo FGD são por deposito a prazo? Se eu tiver dois depositos de 60k eles estão os dois dentro das condições? E se a conta tiver 2 titulares a proteção duplica?

    Obrigado.

    • Pedro Pais Novembro 15, 2013 at 12:17 #

      Os 100K são por titular de depósito, em cada instituição. Se tiver dois depósitos no mesmo banco, com dois titulares, o valor máximo protegido seria de 200K. Se tiver dois depósitos, em bancos diferentes, com dois titulares, o valor máximo protegido seria de 400K (com o sub-limite de 200K por banco e 100k por titular em cada banco).

    • Pedro Novembro 18, 2013 at 10:31 #

      Muito obrigado pelo esclarecimento.

  2. Valentim Silva Novembro 15, 2013 at 17:45 #

    Obrigado pelo artigo, e gostaria que me esclarecesse uma dúvida: se uma pessoa tiver um DP num qualquer Banco de determinada quantia e no mesmo Banco um crédito habitação (ou outro) e se ocorrer um cenário de problemas nesse Banco (falência ou dificuldades de cumprimento) o que sucede? É que o Fundo de garantia dos depósitos garante o DP (inferior a 100 mil euros, claro), mas o Banco pode ficar com esse valor e amortizar o crédito?

    Ou dito de outra maneira, imaginemos que o FGP não consegue pagar, o cliente pode amortizar o crédito com valor (que nessa altura será virtual) do seu DP?

    Obrigado.

  3. Ana Rita Novembro 16, 2013 at 11:22 #

    Respondo à questão do Valentim Silva, embora não seja especialista. Infelizmente julgo, em caso de insolvência do banco onde temos um crédito e um depósito, que o cenário é o pior.
    Tal como numa insolvência de uma empresa que tem créditos a receber e dívidas a pagar, o Administrador de Insolvência vai pedir que paguem o que devem há empresa insolvente, e vai reconhecer os créditos (as dívidas que a empresa insolvente teria para pagar). Mas normalmente a massa insolvente não dá para mais do que is credites privilegiados (trabalhadores e Estado), os outros credores ficam sem nada. E no limite, se tivessem dívidas poderiam ser chamados a pagá-las.
    Ou seja, num banco, poderemos perder as poupanças (ou ficar à espera da compensação do FGD), mas tal não implica que não tenhamos de continuar a pagar o crédito.
    Não me parece justo, mas como é assim com outras empresas, julgo que será assim com os bancos, mas só com um caso prático teria certezas. Mas não conheço ninguém que tivesse perdido as poupanças no BPP e que lá tivesse créditos….

  4. filipe Novembro 29, 2013 at 11:16 #

    Bom dia, o que tem a dizer dos produtos dos ctt (postal valor crescente IV) e os CTPM? Qual o mais vantajoso? Quais os riscos? Obrigada pela atenção, cumprimentos Fiipe Carvalho.

  5. Maria Carvalho Dezembro 24, 2013 at 9:32 #

    Bom dia. Gostaria de aplicar as poupanças de uma vida dos meus pais em algo que lhes rendesse uns euros para futuras despesas. Sinto uma enorme responsabilidade e tenho receio da minha escolha. Peço a sua ajuda para encontrar a melhor solução possível.

  6. Luís Vaz Abril 23, 2014 at 10:22 #

    Obrigado por mais um artigo bastante esclarecedor E parabéns pelo blog, que me habituei a consultar frequentemente.

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